outubro 15th, 2008 by René Vasconcelos
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” Gl 2:20

A esposa de um amigo meu recentemente cometeu uma “loucura”; deixou um emprego praticamente estável em um hospital, a duas quadras de casa para dar aulas de português a alunos da quinta série da rede municipal em um bairro da periferia tão distante, mas tão distante, que lá na minha terra chamariam o trajeto de peregrinação, com salário inferior ao anterior e menos benefícios. Tudo isso pelo gosto e a necessidade que ela tinha de ensinar e educar crianças.
Dias depois, em um culto na casa desse casal de amigos, ela contou sobre a sua vontade de trabalhar com crianças e a necessidade que havia de se ensinar valores para essas mesmas crianças. Contou de seu árduo trabalho, frente a crianças totalmente desprovidas de educação e até mesmo de leitura, para ensinar, educar e passar valores para as crianças. Valores esses que seria obrigação dos pais de passarem. Mas os pais também não aprenderam valores e estão de mãos vazias diante de seus filhos.
Comecei a refletir sobre como era importante a presença de uma professora, munida de valores cristãos, visão e carinho, para esses meninos da periferia que, em sua maioria, encontram professoras também desprovidas de valores e carinho. Para aqueles alunos a presença dela faria toda a diferença. Ela alcançaria e ensinaria mais pessoas que muito pregador por aí. Ela se lançou na oportunidade de, talvez não evangelizar, mas ensinar valores cristãos à crianças que pertencem a uma realidade muito cruel de São Paulo.
Como é interessante ver quando o ministério extrapola as portas das igrejas e vão além dos limites que muitos impõem em suas vidas. Digo isso porque vejo muita gente separado vida ministerial da vida pessoal. Porque? Por ser mais confortável? Para a vida ministerial não prejudicar a pessoal? Louvo a Deus pela “loucura” cometida por essa irmão, que não fez diferença entre vidas ministerial e pessoal e foi além dos limites que o conforto traz, fazendo de sua vida profissional um instrumento para a graça do Senhor alcançar a vida de centenas de crianças.
Que possamos, todos, levar nossos ministérios e dons para fora das portas das igrejas. Que nosso dia-a-dia seja impregnado da Obra, que nossas vidas pessoal e ministerial sejam tão fundidas a ponto de ser difícil discernir qual é qual. Que o Senhor viva em nós e que possamos viver pela fé do Filho de Deus.