
Amor por missões é um dos componentes mais freqüentes e visíveis no cenário missiológico.
Não se participa de um culto missionário, não se ouve um testemunho do campo, não se entrevista um candidato sem se ouvir muitas vezes falar sobre amor.
Entretanto, em que consiste este amor em missões?
Estive várias vezes na África do Sul. É um país maravilhoso, de uma riquíssima diversidade cultural e belas paisagens. Tinha ótimas recordações daquele país e poderia dizer que o amava. Mesmo assim, nunca havia conhecido um sul-afriano. Sempre que estive naquele país, foi em visita a missionários brasileiros.
De que vale este tipo de amor em missões? Amar missões assim é como amar qualquer profissão, esporte ou hobby.
Ninguém fará nada de relevante sem amar missões.
Qualquer pessoa, de qualquer religião, pode amar um país. Trata-se de um fascínio pela estética, história e costumes de um outro povo. Viajar e conhecer outras culturas é mesmo algo muito desejável, mas ninguém deve usar “amor” por missões como desculpa para isto. Os indianas jones cristãos fariam melhor por si mesmo e pelos outros se procurassem emprego como guias turísticos.
Um domingo desses, indo para o culto matutino, meu filho João, de nove anos, apontou para o carro da frente e disse que havia algo de errado com seu dono. O carro tinha dois adesivos – um dizia: “Jesus, meu melhor amigo”; outro, logo ao lado, e um pouco maior, dizia: “Deus deu a vida para cada um cuidar da sua”. Eu quis saber o que meu filho estava vendo de errado e ele explicou que aquele motorista devia estar enganado. Se realmente fosse amigo de Jesus, ele se importaria com a vida das outras pessoas.
De fato, amor em missões só tem sentido quando cumpre o maior mandamento. É primeiro amar a Deus sobre todas as coisas; é ter um desejo tão grande de agradá-lo, que este amor nos levará até mesmo a lugares que não admiramos, a culturas com as quais não nos identificamos. Semelhantemente, é
amar ao próximo – gente que tem rosto, nome, necessidades, dúvidas, tristezas, alegrias e sonhos. Alguém que eu conheça o suficiente para me importar com sua vida, ao ponto de deixar as escolhas que eu faria para meu próprio bem, para escolher aquilo que beneficia meu próximo.
Em recente viagem à África do Sul eu fiquei cheio de verdadeiro amor missionário por aquele país. O mesmo amor que me movimenta e me torna produtivo em meu ministério pelo Brasil. Fui para lá mesmo sem poder, porque entendi que, se fosse, agradaria ao Senhor que amo. Desta vez, conheci pessoas maravilhosas, cristãos e não cristãos. Soube de suas necessidades, suas lutas, seus sonhos; vi seu sorriso, ouvi sua voz e orei com eles.
Agora posso dizer que amo a África do Sul, porque amo pessoas que formam aquela nação, e este amor me impulsiona a fazer algo por seu povo.
José Bernardo Pastor, escritor e conferencista, fundou e preside a missão AMME Evangelizar. josebernardo@evangelizabrasil.com